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Câmara dos Deputados economiza R$ 5 milhões com o Software Livre

A experiência de migração para software livre na Câmara dos Deputados é um bom exemplo de como o processo pode ser desenvolvido no setor público, especificamente em locais com uma vasta estrutura de tecnologia.

A experiência de migração para software livre na Câmara dos Deputados é um bom exemplo de como o processo pode ser desenvolvido no setor público, especificamente em locais com uma vasta estrutura de tecnologia. Nesta entrevista, o coordenador do Grupo de Software Livre do Centro de Informática da Câmara (CENIN), Olival Gomes Barboza Junior, explica em detalhes como começou a migração na Câmara, como foi a aceitação dos funcionários e quanto foi economizado pelo Legislativo. Estima-se que neste ano de 2004, pelo menos 7.000 máquinas utilizem o Open Office.

SL.GOV.BR - Como começou o processo de migração da Câmara para software livre?

Olival Gomes Barboza Junior - A utilização de Software Livre na Câmara começou de uma forma tradicional. Em 2000 e 2001, a equipe de infra-estrutura e rede começou a utilizar produtos livres para resolver questões de segurança, "relay" de correio eletrônico, resolução de nomes internet, proxy-cache e monitoramento de tráfego e serviços de rede. Em 2002 e 2003, parte da equipe de desenvolvimento começou a utilizar a plataforma Java (até então a plataforma utilizada era apenas Microsoft - COM/DCOM e .Net em grau reduzido). Assim, uma série de aplicativos livres e/ou de código aberto sobre a plataforma Java começaram a ser utilizados, como o ambiente de desenvolvimento Eclipse, "frameworks" como Jakarta Struts e vários plugins livres como Jasper, DisplayTag, entre outras. O Jakarta Tomcat como servidor de aplicação (a rigor, "jsp/servlet container") e o CVS para controle de versão de código.

Também em 2003 começamos a utilizar o OpenOffice.org na parte administrativa da Câmara, mas apenas nos microcomputadores que foram adquiridos a partir do ano passado, a fim de evitar gastos com novas licenças de MS Office. A idéia é migrar as instalações de MS Office 97 existentes para OpenOffice.org 1.1, tendo em vista o encerramento do ciclo de vida do produto proprietário, mas isto está sendo conduzido de forma gradual. Este ano estamos consolidando este objetivo com a formalização de treinamento e suporte ao OpenOffice.org na Câmara.
Este ano houve uma alteração no Grupo de SLivre e, entre outras coisas, vamos registrar algumas coisas que não foram formalizadas anteriormente e fazem falta em momentos como este. Por exemplo, o inventário dos aplicativos que estão sendo *efetivamente* utilizados. :-)

SL.GOV.BR - Quantas máquinas já migraram e como está sendo este processo?

Olival Gomes - Como não estamos fazendo uma migração completa, isto é, não estamos trocando a plataforma (proprietária) sobre a qual as aplicações rodam nas estações de trabalho, fica um pouco difícil responder com precisão esta pergunta. Mas nas estações de trabalho em geral temos algo em torno de 300 a 400 instalações exclusivas de OpenOffice.org, mas estamos colocando o OOo em todas as estações na rede, mesmo as que permanecem (por enquanto) com o MS Office, por questões de compartilhamento ativo de documentos. Estamos falando de mais de 5 mil microcomputadores (este ano este número deve ficar em torno de 7 mil, assim que a entrega e instalação de estações adquiridas no ano passado for concluída). O processo de migração para o OpenOffice.org, especificamente, está sendo conduzido este ano de setor em setor. O Centro de Informática aborda a unidade "candidata" à migração completa e faz a instalação do OpenOffice.org nas máquinas que não tenham sido contempladas com o mesmo, deixa um pessoal de apoio técnico "on site" durante um tempo pré-determinado e oferece apoio ao Centro de Formação e Treinamento da Câmara (CEFOR), que é o departamento responsável pelo treinamento em OOo.

Na parte de desenvolvimento de sistemas, em um universo de cerca de 50 desenvolvedores que codificam (não uso o termo "programadores" porque as atribuições destes aqui vão bem além de apenas produzir código), algo em torno de 10 estão utilizando Eclipse e os demais produtos livres que citei anteriormente para esta finalidade. Este número também deve crescer este ano, uma vez que resolvemos pela padronização da plataforma de desenvolvimento em torno do J2EE e, além disso, outras pessoas devem ser deslocadas para esta finalidade.

SL.GOV.BR - Quais setores da Câmara iniciaram a migração?
Olival Gomes - Os primeiros setores a utilizar efetivamente soluções livres na Câmara foram os responsáveis pela infra-estrutura de TI e rede. Logo depois temos o pessoal de desenvolvimento. Em termos mais gerais, a instalação do OpenOffice.org foi realizada de forma pontual, sendo que apenas este ano adotamos de forma mais rigorosa a abordagem setorial. Neste sentido, o primeiro departamento (com exceção do CENIN) a migrar totalmente para OpenOffice.org foi justamente o CEFOR, mesmo porque eles serão responsáveis pela multiplicação do conhecimento sobre o pacote. O próximo é o Departamento de Material e Patrimônio (DEMAP). Não temos ainda uma lista de quais serão os próximos.

SL.GOV.BR - Como tem sido a aceitação dos funcionários da Câmara?
Olival Gomes - No caso do OpenOffice.org, encontramos resistência, mas nada inesperado, tendo em vista que o MS Office 97 é utilizado há uns 5 anos por aqui. De fato, acredito que o principal problema foi mesmo de escala, pois não tínhamos como adotar de cara a abordagem "setor a setor", e a instalação pontual prejudicou o nível de serviço de alguns usuários, os quais não estavam acostumados ao produto. Também temos o problema de que várias aplicações desenvolvidas aqui fazem uso pesado de macros e "OLE Automation" do MS Office. Estas aplicações ainda vão ser migradas. Nosso maior problema está em encontrar empresas capazes de fornecer treinamento/consultoria em desenvolvimento no OpenOffice.org, bem como em fornecer um suporte nível 2 com preços competitivos. Para os produtos de desenvolvimento, a aceitação do ambiente livre está sendo bastante boa. Inclusive, parte da equipe de desenvolvimento testou um IDE Java proprietário bastante respeitado (com acompanhamento do próprio fornecedor) mas depois preferiu usar o Eclipse.

SL.GOV.BR - Com a adoção do software livre, qual será a estimativa de economia da Câmara? Quanto já foi economizado?
Olival Gomes - Não tenho um número fechado para tudo, pois a economia com a adoção normalmente é função do que não foi gasto. No caso específico do OpenOffice.org, em 2003, a economia estimada é o preço de uma licença de MS Office (equivalente ao Professional) multiplicada pela quantidade de estações em rede à época que deveriam ser migradas (para evitar os problemas de segurança). Assim, acreditamos que o número ficaria perto de R$ 5 milhões, ou algo em torno de 15% do orçamento (sem contingência) do CENIN no ano passado.

SL.GOV.BR - Existe a possibilidade de uma migração completa na Câmara?
Olival Gomes - No momento, temos diversos serviços bem estabelecidos sobre produtos proprietários, portanto não é possível afirmar que haverá (a curto/médio prazo) uma migração completa. Porém, com o amadurecimento das soluções livres no desktop e a adoção de determinadas tecnologias livres no backend (o que já começou), acredito que esta possibilidade é bem interessante.

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