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Ceagesp deixa licenças de lado e economiza R$ 1 milhão

As experiências dos órgãos públicos na implantação de software livre, relatadas aqui no SoftwareLivre.GOV.BR, comprovam umas das premissas básicas da adoção do código aberto: liberdade tecnológica, reeducação no uso de softwares e economia de recursos públicos.

As experiências dos órgãos públicos na implantação de software livre, relatadas aqui no SoftwareLivre.GOV.BR, comprovam umas das premissas básicas da adoção do código aberto: liberdade tecnológica, reeducação no uso de softwares e economia de recursos públicos. Segundo José Geraldo da Silva Neto, coordenador da Assessoria de Informática da Companhia de Entrepostos e Armazéns Gerais de São Paulo (Ceagesp), boa parte dos recursos que seriam destinados à compra de licenças foram economizados com o uso de software livre e reinvestidos na capacitação dos funcionários da empresa. Confira os números na entrevista abaixo.

SoftLivre.GOV.BR -
Em que situação o senhor encontrou o setor de informática da Ceagesp quando assumiu a assessoria?
José Geraldo da Silva Neto – Quando eu e minha equipe assumimos a Assessoria de Informática do CEAGESP em março de 2003, encontramos o setor sem uma política de informática e com muitas dificuldades para atender aos usuários, por carência técnica e de pessoal. Existia uma diversidade muito grande de sistemas proprietários que não se integravam, gerando trabalhos inúteis e resultados não confiáveis. Também existia uma diversidade muito grande de sistemas operacionais, de Windows 95 até o Windows XP. Tudo isso aliado a falta de segurança dos aplicativos utilizados na empresa, sem controle de usuários e de permissões. Além disso, a quantidade de computadores era insuficiente para atender aos usuários e a idade média dessas máquinas era maior que 5 anos. Os servidores estavam todos sob a plataforma Windows NT4, sem atualização há bastante tempo.

SoftLivre.GOV.BR - Quando surgiu a idéia e quais foram as necessidades que levaram a Ceagesp para a migração?
José Geraldo - Após uma análise detalhada da situação, resolvemos que teríamos que adotar algumas providências  urgentes. Foi o caso do servidor de e-mail, que era o Notes, e havia a necessidade de aquisição de licenças cliente pois elas eram insuficientes. Também a segurança dos e-mails estava comprometida, pois havia uma quantidade muito grande de vírus que chegavam e não era detectada. Resolvemos então criar um serviço de e-mail baseado em software livre. Adotamos o Postfix como servidor e criamos o WEBMAIL utilizando o Horde. Até então a empresa não possuía um WebMail.
Também migramos nosso servidor de WEB para software livre e o nosso portal está sendo desenvolvido totalmente em código aberto. Constatamos que as licenças do MSOffice estavam vencidas e para atualizá-las teríamos que desembolsar em torno de R$ 410.000,00. Resolvemos migrar para o OpenOffice e desembolsamos R$ 38.000,00 em treinamento do nosso pessoal. Dentro de mais uns 6 meses realizaremos a migração total de nossos servidores para software livre.

SoftLivre.GOV.BR - Quais foram os aplicativos adotados e o que foi substituído?
José Geraldo -

1- Postfix  em substituição ao Notes
2- Horde
3- OpenOffice em substituição ao  MSOffice
4- Linux (Conectiva 8) em substituição ao Windows NT4
5- Mozilla no lugar do Internet Explorer e do Outlook.

SoftLivre.GOV.BR - Explique como foi o processo de migração. Qual a política adotada com os funcionários? Houve resistência? Como foi quebrada?

José Geraldo - Em alguns casos, como no do e-mail não houve muita resistência, pois quase não se notou a modificação. Houve sim um aumento na quantidade de mensagens em circulação, já que o novo serviço era rápido e confiável. No caso do OpenOffice, houve algumas reações pela novidade e desconhecimento do novo software, devido a migração de formulários desenvolvidos em outras plataformas. Quanto as dificuldades com os usuários em relação ao novo software, foram tomadas basicamente duas atitudes. Em primeiro lugar deixamos o visual do OpenOffice bem parecido com o visual do MSOffice. Isso quase eliminou boa parte das reclamações em relação ao novo software. Depois contratamos o treinamento dos funcionários em OO. As dificuldades com os formulários aconteceram porque todos foram desenvolvidos para a plataforma Windows 98. Quando adotamos o OpenOffice, o programa estava na versão 1.0.3, que não resolvia muitos bugs do W98. A solução foi transformar os formulários em padrões de Internet como PDF para normas e editais e PHP para formulários que exigem preenchimento.
 
SoftLivre.GOV.BR - Quanto já foi economizado desde que começou o processo de migração?
José Geraldo - Se levarmos em consideração o ano de 2003 somente para o MSOffice e o Notes, economizamos em torno de R$ 1 milhão em licenças. Até 2006 poderemos ter uma economia em torno de R$3.000.000,00 a R$ 4.000.000,00, tanto em renovação de licenças como em aquisição de novos aplicativos. Outro dado importante, mas que não pode ser quantificado monetariamente, é o aumento de produtividade em função da menor perda de tempo com paralizações de nossos servidores e também com o aumento da segurança de nossas operações.

SoftLivre.GOV.BR –
Existe a intenção da sua equipe de migrar completamente os sistemas do Ceagesp para software livre?
José Geraldo - Sim. Nossa meta é em 2004 migrarmos todos os nossos servidores para Linux e em 2005 todas as estações de trabalho. Além disso, em nosso Planejamento Estratégico 2004-2007 está prevista a aquisição de um novo  ERP baseado em software livre.

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