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Estamos no caminho certo

O Banco do Brasil tem, hoje, o maior parque de soluções em software livre na América Latina. O status alcançado é recente, mas, para obtermos esse título, o caminho começou a ser trilhado há 8 anos, quando optamos pelo uso do sistema operacional GNU/Linux em nossa infra-estrutura de Internet/Intranet.

Uma decisão que ainda pode ser considerada pioneira para o mercado. Para o BB, uma decisão estratégica e responsável, que possibilitou a integração de outras soluções livres em nosso legado, como serviços, sistemas embarcados e estações de trabalho, tornando a Empresa um caso de sucesso quantitativo e, principalmente, qualitativo, nesse novo paradigma da Tecnologia da Informação.

Nossas decisões estratégicas procuram oferecer produtos e serviços mais tempestivos e diferenciados, com custos menores e mais acessíveis a todos os nichos de clientes gerando fidelização e, conseqüentemente, incremento na utilização de nosso portfólio frente à concorrência. O software livre atende a tais requisitos porque possui um conjunto de características técnicas e econômicas que auxiliam no processo decisório, dentre as quais podemos citar o ciclo de atualizações em convergência com o mercado, alinhamento com o acelerado surgimento de novas tecnologias, otimização de hardware, suporte a maior demanda de recursos e domínio sobre as soluções adotadas.

Estudos realizados por consultorias apontam que as soluções em software livre estão cada vez mais presentes nas grandes empresas e as que mais crescem em número de desenvolvedores e usuários já passam da casa dos milhões. Os grandes players de TI como IBM, Intel e Sun possuem áreas específicas para o desenvolvimento dessas soluções, empregando centenas de milhares de profissionais em áreas como kernel Linux, suporte a hardware, segurança, banco de dados e protocolos abertos. Essas empresas trabalham em conjunto e aplicam com êxito o modelo colaborativo de desenvolvimento, diminuindo seus custos de desenvolvimento, padronizando métodos e minimizando barreiras na migração de sistemas proprietários.

A Dow Jones, por exemplo, que é a maior bolsa de valores do mundo, acaba de migrar seus sistemas para o código aberto. Atualmente, o GNU/Linux é o segundo maior sistema operacional em uso no planeta e, se considerarmos apenas sistemas embarcados e serviços e/ou servidores de infra-estrutura, ocupa o primeiro posto. No Banco do Brasil, o GNU/Linux está presente em mais de 7 mil Servidores, 65 mil Estações e 4,5 mil pontos de sistemas embarcados apenas no Ambiente de Automação Bancária.

Por sermos uma empresa pública, a aquisição sem custos de software livre nos desonera do processo imposto pela Lei de Licitações 8.666, agilizando a tomada de decisão e as condições legais do BB em absorver tecnologia, além de oferecer diferenciais de negócio e reduzir também o envio de royalties para o exterior. Essas vantagens resultam no aumento da disponibilidade de recursos para investimento em tecnologia nacional, gerando novas oportunidades de empregos e renda para o País, reafirmando o compromisso do BB com o desenvolvimento da sociedade.

A implantação de software livre trouxe ainda inovação no processo de evolução e manutenção das soluções. Anteriormente, por essas serem proprietárias, dependiam essencialmente da ação das empresas detentoras de seu código. As soluções finais disponibilizadas por estas empresas nem sempre atendiam aos requisitos de softwares estipulados pelo BB para seus ambientes computacionais que, devido à criticidade e aos controles necessários, pecavam pela falta ou pelo excesso de recursos disponibilizados. Por exemplo, o uso do GNU/Linux e outros softwares livres nos servidores e estações de trabalho da Rede de Agência permitiram a customização de solução específica para este ambiente, o que resultou em uma solução interativa, enxuta e segura focada no negócio, usuários e clientes.

Uma vez que é detectada alguma dificuldade ou necessidade, por exemplo, a solução livre pode rapidamente oferecer condições de ser adaptada. Se utilizássemos um sistema operacional proprietário com sua suíte de escritório e demais aplicações, teríamos muitos recursos desnecessários e que gerariam custos de manutenção/correção pelas falhas de segurança amplamente exploradas, além da baixa aderência aos nossos sistemas de negócio, cujo crescimento ficaria limitado aos recursos e especificações proprietárias detidas apenas por um único fornecedor, gerando uma dependência em toda a cadeia produtiva de TI. Se não bastassem essas desvantagens, essa opção obrigaria o BB a ter sempre elevados custos com novas licenças dessas soluções e de seus padrões proprietários em uso ou de novos softwares/modelos que não atendem realmente a estratégia de TI corporativa, focada na efetividade, na gestão de custos e retorno sobre o investimento.

A opção pelo software livre também beneficiou o corpo técnico do BB, que passou a contar com maiores recursos para o desenvolvimento de aplicativos, levando-os conseqüentemente ao aprimoramento profissional, perenidade e evolução do conhecimento, independência e domínio das tecnologias empregadas num horizonte de tempo maior. Também foi beneficiada a comunidade de software livre que, a partir da implantação em larga escala de soluções livres no BB - considerado o maior caso de uso destas tecnologias na América Latina -, ganhou força e notoriedade no mercado nacional e internacional.

Nossos clientes passaram a ter atendimento mais agilizado e esse tempo ganho é um facilitador para o incremento de novos negócios e a eficiência um fator de fidelização. O resultado é um número menor de reclamações de usuários e clientes nos canais de atendimento, redução de multas e ganho de produtividade que se traduzem em mais vantagens para os clientes, com a redução nos custo dos serviços prestados. O cliente se beneficia de ponta a ponta neste processo e o BB passa a oferecer de forma pró-ativa novos diferenciais e funcionalidades, expandindo suas receitas em todo o ciclo de vida de seus produtos e serviços.

Acreditamos que o software livre é o maior advento da Tecnologia da Informação pós-Internet. Atualmente, se desenvolvem mais softwares do que hardware e as maiores empresas da indústria de TI têm demonstrado isso, como o Google com o projeto Android, a Intel com projetos de virtualização e gestão de energia, a IBM com seu repositório developers network, Red Hat, Mandriva e a Nokia com projetos de mobilidade. O software livre permite que evoluções sejam acompanhadas em tempo real pelo BB, resultando em uso do conhecimento obtido ao longo dos anos, além de minimizar os impactos frentes às mudanças e ciclos tecnológicos, trazendo menos dificuldades aos nossos executivos e administradores de TI na tomada de decisão. Estamos no caminho certo.

Dinis Agostinho dos Santos, analista de tecnologia do Banco do Brasil - trabalha na implantação de software livre nos ambientes da Empresa


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