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Nas ondas livres do rádio


Mais um caso de sucesso na utilização de software livre pelo governo federal. Desde a semana passada, as rádios on-line da Empresa Brasileira de Comunicação (Radiobrás) disponibilizadas pela internet estão funcionando com o Icecast , um programa de código aberto que, além de melhorar o desempenho das conexões por streaming (transmissão em tempo real), possibilita a sintonia das rádios pelos ouvintes no formato MP3, facilmente interpretado por qualquer sistema operacional. Antes, por utilizar um ambiente proprietário, as transmissões em tempo real da Radiobrás, beneficiavam apenas os usuários do Windows Media Player.

E as novidades não param por aí. A empresa também adotou o Darkice, um programa dedicado à captura de áudio, que oferece agilidade aos serviços internos da Radiobrás, como o Rádio Clipping, baseado em recuperação de reportagens e entrevistas gravadas pelas rádios do sistema. As aplicações foram indicadas pelo Ministério da Cultura, que implementará esta solução de streaming em seus Centros de Cultura espalhados pelo país.

De acordo com o coordenador da Divisão de Tecnologia da Informação da Radiobrás, Diogo Correia Gonzaga, além das vantagens para os usuários, a migração para o software livre tem sido bastante positiva do ponto de vista institucional. “Conseguimos fazer a integração de serviços com outros sistemas proprietários legados a partir de alterações que fizemos no código-fonte do Darkice”, conta Diogo, para quem tal customização só foi possível graças a uma das características do software livre, que é a liberdade de poder modificar um programa de acordo com as necessidades de seus usuários.

“Por ser mais estável e ocupar uma largura de banda menor, a migração para software livre nos serviços das rádios em tempo real da Radiobrás também permitiu que o limite de conexões simultâneas ao serviço saltasse de 10 para 100”, destaca Diogo. “Temos recebido um excelente retorno de nossos ouvintes, que perceberam aumento na qualidade da transmissão em relação ao que era obtido com o software proprietário”, comemora.

Outro aspecto dessa migração, bastante relevante por sinal, é a significativa redução de custos operacionais para a Radiobrás. Segundo Diogo Gonzaga, foram economizados cerca de R$ 70 mil somente com os custos de licenças e os programas necessários para se montar um ambiente com software proprietário para a função de servidor de streaming, Em relação aos equipamentos, a economia foi ainda maior, cerca de R$ 80 mil. “Nós estamos utilizando uma estação de trabalho como servidor, já que o software livre ocupa bem menos espaço de memória”, revela Diogo, anunciando que até o final de julho a expectativa é que 100% dos serviços de rede da Radiobrás estejam migrados para software livre.

Experiência


A Radiobrás, juntamente com o Ministério das Cidades, encontra-se bastante adiantada na migração para software livre entre os órgãos da administração direta do governo federal. O processo na empresa começou no segundo semestre de 2003 com o treinamento para a área de informática, além da implementação de um projeto piloto em 37 computadores, também na área de tecnologia. Em 2004, foi feita a migração de mais sete estações de trabalho e 13 servidores. E em 279 computadores foi instalado um pacote com soluções livres de editor de texto, planilha e navegador de internet, entre outros.

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