Democratização do conhecimento
Com a disponibilização do código fonte do e-Proinfo, o Ministério da Educação dá um salto no processo de construção do conhecimento.
A liberação oficial aconteceu no dia 20 do mês passado durante o 7º Fórum Internacional de Software Livre (Fisl 7.0), quando técnicos do MEC apresentaram a solução e colocaram o código fonte à disposição de todos.
"A partir daí, criamos uma área de download e, nessa área, disponibilizamos o código fonte, o manual de instalação, além dos requisitos mínimos de hardware e software. Há ainda algumas áreas em desenvolvimento, como a de suporte. Daqui para frente, pretendemos trabalhar gerenciando o desenvolvimento colaborativo da solução", explica Espartaco Madureira Coelho, diretor do MEC responsável pelo e-Proinfo.
Para o download, disponível no endereço www.eproinfo.mec.gov.br/comunidade, é exigido um mini-cadastro com dados como nome, instituição e e-mail para que o ministério tenha uma forma de contato com o interessado. Até o momento, houve 781 inscritos. Além disso, 2.164 pessoas baixaram a documentação técnica, 1.787, o código fonte e 1.140, o roteiro de instalação.
A iniciativa transforma o código fonte do e-Proinfo em bem público. "E dessa forma, todos os outros ministérios, por exemplo, podem se apropriar do resultado obtido a partir do grande empenho e investimento do Ministério da Educação. Tudo isso sem terem que reinventar a roda", afirma Espartaco, bem-humorado. Além disso, a atitude do MEC oferece um retorno importante ao órgão. "Os outros ministérios, as comunidades de software livre e a sociedade poderão nos ajudar a aperfeiçoar esse produto", acredita.
Ambiente colaborativo
Registrado no Instituto Nacional de Propriedade Intelectual no dia 9 de março deste ano, o e-Proinfo é um ambiente que utiliza a internet para desenvolver ações como cursos a distância e semipresenciais, projetos de pesquisa, entre outras formas de apoio à educação a distância.
O e-Proinfo é composto por dois sítios, o do participante e o do administrador. O primeiro é voltado para que os interessados se inscrevam e possam participar de cursos e demais ações disponíveis. Já a partir do segundo, os credenciados pelas instituições conveniadas podem oferecer, desenvolver, administrar e ministrar as atividades como cursos a distância.
O próprio nome do ambiente tem origem em ações do MEC voltadas para o uso da tecnologia na educação. Criado há nove anos, o Proinfo surgiu para a promoção da telemática como ferramenta de enriquecimento pedagógico tanto no ensino médio como no fundamental.
Para saber mais sobre o e-Proinfo, desenvolvido pelo Centro de Experimentação em Tecnologias Educacionais (CETE) do MEC, acesse http://www.eproinfo.mec.gov.br/.
Diretor do MEC, Espartaco Coelho, aposta na construção solidária do conhecimento.
Paradigmas do software livre
"O software livre (SL) tem uma faceta muito interessante: a da aprendizagem como um processo colaborativo", acredita Espartaco. "E isso para o MEC é muito importante", continua. Conforme avalia o diretor, na era em que estamos inseridos, o conhecimento é fundamental e o SL, um aliado na sua disseminação.
Para Espartaco, a forma como muitos vêem o software livre se assemelha ao disco de Odin, do conto do escritor argentino Jorge Luiz Borges. No conto, Borges descreve um objeto fantástico que tem apenas um lado. E é o que geralmente acontece com o SL: a economia é frisada a todo momento, mas existem outras questões altamente importantes que costumam ser deixadas de lado. " A informação normalmente está muito focada em um aspecto. Você conhece muito bem os argumentos de um lado, mas na verdade as questões são multifacetadas, com ângulos e abordagens diversas", reflete. "Isso se deve, provavelmente, à visão tecnicista que prevalece na sociedade", avalia o diretor.
Essas questões recorrentes, portanto, fazem parte de apenas um lado da moeda. "O disco de Odin, que estamos vendo, ofusca o outro lado que também existe e faz parte da realidade. O SL não se trata de um objeto mágico de literatura fantástica, mas de algo que carrega consigo grandes contribuições para a humanidade", garante.
De acordo com a visão de Espartaco, o SL é, por exemplo, uma resposta efetiva à pirataria. "A disseminação de soluções baseadas em software livre vai ajudar de forma a dinamizar o processo de muitos países no combate à pirataria", estima o diretor.
"Além disso, há a questão da solidariedade", assinala o diretor do MEC. O desenvolvimento de software sempre passa por um processo de aperfeiçoamento constante, de implementação de novas funcionalidades, de correções permanentes. Nesse sentido, abrir o código de uma solução significa implementar melhorias de forma conjunta, com a construção solidária do conhecimento.
"O conhecimento é a pedra chave para as organizações e para as sociedades humanas acelerarem o processo de desenvolvimento, de busca pela justiça social e de melhoria de vida em geral", afirma. "E, sem dúvida, o software livre contribui para isso", conclui Espartaco Coelho.
Coordenação de Comunicação Empresarial do Serpro, 18 de maio de 2006

