Grandes empresas reforçam aposta no software aberto
Não é por acaso que o
símbolo do evento Linux World Conference & Expo, que começou ontem
em São Paulo, é um pingüim de gravata (o pingüim é o símbolo do Linux,
e a gravata o associa a executivos). Grandes empresas reforçam a aposta
no software de código aberto - como o Linux -, despidas de viés
ideológico. "A questão deve ser analisada de maneira pragmática, e não
por razões filosóficas", afirmou Dan Frye, vice-presidente mundial do
Centro de Tecnologia Linux da IBM.
No começo do governo Lula, o código aberto - ou software livre - foi adotado como bandeira política, mas acabou enfrentando problemas para ser implementado. Enquanto isto, este tipo de programa de computador foi ganhando espaço na iniciativa privada. O software proprietário, como o Windows, da Microsoft, exige o pagamento de licença e não pode ser modificado pelo usuário. O software de código aberto, ou livre, como o Linux, não exige pagamento de licença e pode ser modificado pelo usuário.
A IBM anunciou ontem a ampliação de seu Centro de Tecnologia Linux no Brasil. Ele passou de 15 pessoas para 45. Além do espaço que ocupa na Universidade Estadual de Campinas (Unicamp), o centro passa a ter também instalações em Hortolândia (SP). Foram investidos US$ 2,2 milhões na expansão do centro. Pode não parecer muito, para uma empresa com investimentos estimados em US$ 1 bilhão por ano em código aberto, mas o centro brasileiro está entre os cinco maiores do mundo. A IBM conta com 600 programadores em seus 20 centros mundiais, em 10 países, para desenvolver projetos de código aberto.
"O software de código aberto nos permite crescer em área em que ainda não temos grande presença", afirmou Jeff Smith, vice-presidente de Linux e Código Aberto da IBM. "Não haverá uma guerra entre código aberto e privado. A tendência é de coexistência. O que não parece ser uma notícia de jornal sensacional."
Como prova da coexistência entre o software aberto e o proprietário, ele citou o sistema de servidor de internet Apache, de código aberto, que foi integrado desde 1998 no Websphere, um programa proprietário da IBM.
Além da IBM, os grandes expositores do evento são a Novell, a Red Hat e a HP. Até mesmo a Microsoft participa do congresso.
Amanhã, o gerente-geral de Estratégia de Mercado da empresa, Bill Hilf, deve falar sobre a integração de produtos da Microsoft com software de código aberto, e sobre sua experiência no Linux/Open Source Software Lab, localizado em Redmond, sede mundial da companhia.
Uma pesquisa da Fundação Getúlio Vargas aponta que o Linux tinha ano passado uma fatia de 16% do mercado brasileiro de sistemas operacionais para servidores. O Windows ficava com 63%. No computador de mesa, no entanto, a participação do programa da Microsoft era de 97%.
A Novell quer crescer neste mercado, com uma versão de Linux lançada no ano passado. "O sistema operacional está mais evoluído em tecnologia, está muito similar a um desktop da Microsoft", disse Ricardo Fernandes, presidente da Novell do Brasil. Em um ano, a empresa conseguiu vender o sistema para 6 mil computadores de mesa no País. Segundo ele, estão em negociação dois grandes contratos com centrais de atendimento. Um deles deve ser assinado este ano.
O ESTADO DE SãO PAULO | CONTEúDO LIVRE | 24/05/2006
No começo do governo Lula, o código aberto - ou software livre - foi adotado como bandeira política, mas acabou enfrentando problemas para ser implementado. Enquanto isto, este tipo de programa de computador foi ganhando espaço na iniciativa privada. O software proprietário, como o Windows, da Microsoft, exige o pagamento de licença e não pode ser modificado pelo usuário. O software de código aberto, ou livre, como o Linux, não exige pagamento de licença e pode ser modificado pelo usuário.
A IBM anunciou ontem a ampliação de seu Centro de Tecnologia Linux no Brasil. Ele passou de 15 pessoas para 45. Além do espaço que ocupa na Universidade Estadual de Campinas (Unicamp), o centro passa a ter também instalações em Hortolândia (SP). Foram investidos US$ 2,2 milhões na expansão do centro. Pode não parecer muito, para uma empresa com investimentos estimados em US$ 1 bilhão por ano em código aberto, mas o centro brasileiro está entre os cinco maiores do mundo. A IBM conta com 600 programadores em seus 20 centros mundiais, em 10 países, para desenvolver projetos de código aberto.
"O software de código aberto nos permite crescer em área em que ainda não temos grande presença", afirmou Jeff Smith, vice-presidente de Linux e Código Aberto da IBM. "Não haverá uma guerra entre código aberto e privado. A tendência é de coexistência. O que não parece ser uma notícia de jornal sensacional."
Como prova da coexistência entre o software aberto e o proprietário, ele citou o sistema de servidor de internet Apache, de código aberto, que foi integrado desde 1998 no Websphere, um programa proprietário da IBM.
Além da IBM, os grandes expositores do evento são a Novell, a Red Hat e a HP. Até mesmo a Microsoft participa do congresso.
Amanhã, o gerente-geral de Estratégia de Mercado da empresa, Bill Hilf, deve falar sobre a integração de produtos da Microsoft com software de código aberto, e sobre sua experiência no Linux/Open Source Software Lab, localizado em Redmond, sede mundial da companhia.
Uma pesquisa da Fundação Getúlio Vargas aponta que o Linux tinha ano passado uma fatia de 16% do mercado brasileiro de sistemas operacionais para servidores. O Windows ficava com 63%. No computador de mesa, no entanto, a participação do programa da Microsoft era de 97%.
A Novell quer crescer neste mercado, com uma versão de Linux lançada no ano passado. "O sistema operacional está mais evoluído em tecnologia, está muito similar a um desktop da Microsoft", disse Ricardo Fernandes, presidente da Novell do Brasil. Em um ano, a empresa conseguiu vender o sistema para 6 mil computadores de mesa no País. Segundo ele, estão em negociação dois grandes contratos com centrais de atendimento. Um deles deve ser assinado este ano.
O ESTADO DE SãO PAULO | CONTEúDO LIVRE | 24/05/2006

