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Software Livre como alternativa à pirataria

Modelo pode ser alternativa para acordos comerciais firmados por governos para combater a pirataria de software. Uma sombra que paira sobre a indústria de software é a pirataria, prática ilícita, que é simplesmente o uso, cópia ou distribuição de produtos comerciais sem autorização.

É uma atitude ilegal, mas infelizmente muito popular, ocorrendo com freqüência na indústria de computadores “cinza”, montados por empresas de “fundo de quintal”. Encontram-se cópias piratas do Windows e do Office em tudo quanto é lugar.

De maneira geral, algumas estimativas apontam que a pirataria no Brasil prejudica fortemente a indústria de software de consumo, que deixaria de faturar algumas centenas de milhões de dólares. A diferença entre o software instalado (demanda) e o software legal (fornecimento) é igual à estimativa de software pirateado. A pirataria é medida como a quantidade de software instalado sem licença oficial.

Entretanto outros estudos apontam que este valor corresponde à expectativa de lucro caso não houvesse nenhuma outra alternativa disponível no mercado, o que já não é mais verdade, quando olhamos o Linux e o OpenOffice.

No modelo tradicional de software de massa (voltado ao consumidor), a evolução é muitas vezes direcionada pelas estratégias de marketing do fornecedor, que constantemente cria novas funcionalidades nem sempre necessárias aos usuários. Algumas pesquisas de mercado demonstram que uma grande parcela das funcionalidades de softwares de escritório não é utilizada. O modelo cria também um processo de obsolescência programada, impedindo a aquisição de versões anteriores, mesmo que estas atendam perfeitamente bem as necessidades de um grande contingente de usuários.

Este modelo também não permite a comercialização de softwares usado, como ocorre na indústria automobilística. Outra característica deste modelo é que muitas vezes as decisões de liberação de versões são direcionadas pelas estratégias de marketing, levando eventualmente a liberação de código que não tenha sido devidamente testado, com muitos bugs ainda existentes. Os próprios usuários é que acabam sendo os “testadores” e comunicando ao fornecedores as ocorrências dos bugs.

Com a opção do software livre, com custos reduzidos de aquisição (ou grátis, caso seja um simples download) uma parcela significativa de usuários não teria interesse em adquirir software proprietário similar. Dessa forma, a perda da indústria seria apenas do valor das licenças que a parcela restante de usuários, ainda interessadas nos softwares proprietários, optasse intencionalmente pela pirataria.

Havendo um crescente uso de software livre no mercado de consumo, o custo total da oficialização das licenças seria bem menor. A conta é simples. Imaginando que o índice de pirataria no Brasil seja de 50%, um esforço legal para combater a pirataria obrigaria a outra metade dos usuários de software de escritórios a adquirirem licenças oficiais, afetando a balança de pagamentos. Se o software livre fosse adotado como programa substituto no mercado de consumo, a balança de pagamentos não seria tão afetada.

Diante de todo esse cenário, o modelo de software livre pode ser uma alternativa bastante interessante no tocante aos acordos comerciais internacionais que são firmados por governos para combate a pirataria de software.

AGÊNCIA REUTERS, 27/10/2006, GOVERNO
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