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Presidencia da Republica
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"O Fisl apresentou o software livre à sociedade brasileira"

A declaração é do diretor-presidente do Serpro e coordenador do Comitê Técnico de Implementação de Software Livre - CISL, Marcos Mazoni, em entrevista sobre o Fórum Internacional Software Livre - Fisl, que será realizado de 21 a 24 de julho em Porto Alegre-RS.

Mazoni fala sobre a importância do Fisl, um dos maiores encontros de comunidades da América Latina para discussão técnica e filosófica sobre o software livre. No Fisl, o coordenador fará a apresentação do atual cenário do software livre no Governo Federal, com base no levantamento realizado pelo CISL, e também do projeto Expresso em Nuvem.

MazoniQual a importância do Fisl para o contexto do software livre no Brasil e na América Latina?
O Fisl é o maior evento de TI focado em software de código aberto de toda a América Latina. Esse evento cumpre um planejamento, ele tem uma determinação histórica, ele apresentou o Software Livre - SL à sociedade brasileira, demostrou os avanços e articulou redes. Dessa forma, configura-se como o grande momento de congregação das redes, das comunidades, enfim, das pessoas que mantêm o SL. O Fisl apresenta novas oportunidades de construção de novas redes, ele mantém vivo todo esse movimento que além de ser tecnológico é social.

O Fisl é mais que um evento, ele é uma engrenagem importantíssima dentro da lógica de desenvolvimento do SL, que é a lógica da colaboração. Porque o Software Livre vai além da discussão tecnológica, o movimento precisa saber como articular filosoficamente as pessoas, como fazer que elas saiam da individualidade e participem de projetos coletivos. Então, muito mais do que liberar um código, o movimento do SL busca liberar e articular a vontade das pessoas trabalharem juntas e isso o Fisl faz de forma muito interessante.

Na sua opinião, quais são os resultados já observados nesses 11 anos de Fisl?
Imensuráveis. Toda a comunidade de software livre brasileira e da América Latina, de alguma maneira, se apoiou no Fisl. Desde o Expresso até soluções livres para escolas, tiveram articulações a partir do Fórum Internacional de Software Livre. A sinergia está ali nas comunidades se conhecendo pessoalmente, trocando ideias, experiências de vida e construindo seus projetos. Eu vejo o Fisl como um momento para o início da consolidação de vários projetos de desenvolvimento de código aberto no Brasil.

O Fisl conta com o apoio de instituições públicas. Quais valores isso agrega para o evento? E como o Estado é beneficiado nessa parceria?
O Estado se beneficia diretamente pela formação das redes. Quando a gente começa o desenvolvimento de uma solução, nós sabemos que ela vai ter vida longa, na medida em que mais pessoas estão testando, desenvolvendo, comitando códigos. Então, esse benefício é direto para o Estado brasileiro.

Além disso, o evento tem o grande desafio de unir interesses, que muitas vezes são individuais do desenvolvedor, do programador e os interesses que são institucionais, corporativos. Inclusive, esse é o grande desafio que vivemos hoje no movimento do software livre: como criar comunidades de desenvolvedores, juntando indivíduos e corporações?

Por que essa é uma dificuldade?
Porque as corporações são sempre imediatistas. O desafio delas é investir na solução de seus problemas, mas também investir na solução de problemas que elas ainda não se confrontaram. E esse é o grande momento do Fisl, porque muitas vezes você participa de projetos que ainda não compreende a solução que ele agrega, porque não conhece o erro, mas logo a frente você vai encontrá-los.

Qual a importância dos técnicos do governo participarem do Fisl?

O movimento de SL vive da participação das pessoas e as pessoas precisam ter momentos de encontros, de reflexão, para se colocarem em projetos existentes ou avançar em novos projetos. Isso no mundo do Software Livre só acontece em eventos, então esse momento passa a ser um investimento que as corporações fazem para motivar essa colaboração com as comunidades.

Nós não queremos que as soluções do Governo tenham apenas o olhar, o esforço de seus profissionais, e sim desse trabalho em rede. O Governo precisa estar presente, porque quem mais colabora no mundo do SL tem retorno mais rápido, é um conceito de meritocracia mesmo, se a gente não está lá, também não tem o retorno das soluções que são dadas por essas comunidades.

No Fisl desse ano, você apresentará o projeto do Expresso em Nuvem. Qual a finalidade?
O Expresso é a nossa ferramenta livre de correio, agenda, catálogo, workflow e VoIP. O conceito Expresso em Nuvem diz que o Expresso não precisa necessariamente estar colocado na rede corporativa, ele pode ser acessado de qualquer lugar, então para uma instituição muito pequena, a solução não precisa estar em seus servidores, ela pode estar dentro de servidores que estão espalhados por todo o território nacional e até no exterior. Assim, uma pequena prefeitura não precisa mais usar o Gmail, pode utilizar o Expresso, vai usar uma solução corporativa de governo. Então, nosso objetivo é apresentar essa solução tecnológica que pode atender diferentes tipos de corporações, no nosso caso, com foco especial nas corporações públicas nos seus mais variados tipos e tamanhos.

Comunicação Social do Serpro - Brasília, 20 de julho de 2010

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