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Prefeitura de Uberlândia investe na migração para software livre

Prefeitura de Uberlândia investe na migração para software livre e economiza recursos públicos

Peter Botelho, coordenador de TI da Prodaub, Processamento de Dados da Prefeitura de Uberlândia, compartilha com os leitores do SOFTLivre.GOV.BR a experiência da cidade de Uberlândia na adoção de programas e plataformas substitutas do software proprietário.

SoftLivre.GOV.BR - Em que momento a equipe de TI da prefeitura de Uberlândia detectou a necessidade de migração para software livre?
Peter Botelho - No início do atual governo, uma das tarefas que nossa empresa entendeu como prioritária foi a adoção de uma política de legalização dos softwares utilizados no município. O Windows era o software mais usado como ambiente operacional e o MS-Office como suíte de escritório. Como grande parte dos nossos sistemas estão em duas camadas, não foi possível a implementação do Linux nas estações de trabalho, e o Windows foi mantido como nosso ambiente operacional oficial. A situação era diferente em relação ao MS Office. Havia soluções tanto proprietárias, como o Lotus Smartsuite da IBM, quanto o Star Office,
que na época era suportado pela Conectiva. Após muitos estudos, testes e reuniões optamos pelo Star Office 5.2, principalmente por se tratar de um software gratuito. Sabíamos que o processo seria desgastante, mas também tínhamos consciência que isso independeria de ser livre ou não, e sim da própria mudança do produto. Conscientes de que o desgaste era inevitável, priorizamos o fator econômico.

SoftLivre.GOV.BR - Em quais setores começaram a migração?
Peter - A PRODAUB é a empresa da Prefeitura Municipal de Uberlândia responsável por toda a gestão de TI no município. E foi justamente nela que começamos a mudança. Nossa estratégia foi fazer essa migração da forma mais traumática possível, para termos uma experiência de como seria a transição nestas condições. Coincidentemente, naquele momento estávamos trocando todo o parque de máquinas e aproveitamos para entregar os equipamentos novos apenas com Star Office instalado. Houve surpresa quanto à reação dos usuários, pois, a equipe administrativa se adaptou facilmente ao novo produto. Existiram dificuldades, mas
nenhuma que não pudesse ser contornada com relativa facilidade. A equipe técnica, no entanto, apresentou uma resistência maior, talvez por teoricamente conhecerem um número maior de recursos do software da Microsoft.

SoftLivre.GOV.BR - Vocês já estão usando Linux?
Peter - Mesmo com a impossibilidade inicial de utilizar Linux em estações de trabalho o nosso projeto de utilização de software livre previa a migração dos servidores de dados e aplicações para Linux. Isso porque a maior parte dos usuários utilizava nossos servidores Windows apenas para autenticação, repositório de dados e servidor de impressão. Assim, de 16 servidores Windows 2000/NT passamos para apenas 2 (dois). Atualmente, todos os nossos serviços de autenticação, WEB, e-mail, homeuser e impressão são feitos por servidores Linux. O município, com o Comitê de Inclusão Digital – CID, tem criado laboratórios em escolas e unidades assistenciais. Nestes locais temos utilizado Linux Conectiva 7.0 com terminal server. Somente com esta tecnologia conseguimos viabilizar economicamente os laboratórios, já que não existem custos de licenciamento de softwares, e podemos utilizar equipamentos de configuração baixa.

SoftLivre.GOV.BR – Na primeira fase do projeto vocês substituiram o MS Office por Star Office e por fim o Open Office. Com essa mudança, de quanto foi a economia de recursos da prefeitura de Uberlândia?
Peter - A economia inicial estimada foi de R$ 1.600.000,00 (Um milhão e seiscentos mil reais). No entanto, este valor é estimado, pois com certeza o município não teria orçamento para realizar a legalização de todos os MS-Office instalados.

SoftLivre.GOV.BR - Os recursos que foram economizados estão sendo destinados para quais áreas da administração pública?
Peter - Acreditamos que nenhuma prefeitura tenha condições de gastar o escasso dinheiro público em legalização de software básico e ambiental. O software livre permite uma moralização de sua utilização. Possibilita que os governos saiam da ilegalidade, e cumpram a lei, deixando de preocupar-se com o fantasma da fiscalização. A economia viabiliza a renovação e ampliação do parque tecnológico, permitindo uma administração mais rápida, moderna e capaz de atender melhor ao cidadão. Não podemos dizer que o dinheiro que poderia ser gasto com software foi gasto em outra área, porque, em nosso caso, comprar mil licenças de uso do MS-Office é um pensamento insano.

SoftLivre.GOV.BR - Existem planos para que a administração pública migre completamente seus sistemas?
Peter - Claro. Todo nosso portal (www.uberlandia.mg.gov.br) é desenvolvido em JAVA e estamos migrando para J2EE. Temos como diretiva não desenvolver novos sistemas utilizando tecnologia de duas camadas. Nesse contexto, está previsto a disponibilização de interfaces Web para vários sistemas de atendimento, para que estas posições possam utilizar Linux como ambiente operacional. Para sistemas menores estamos utilizando PHP com PostGreSQL, como é o caso do nosso sistema de controle de inventário de equipamentos, o sistema de gestão de uso dos laboratórios de informática do CID e o nosso sistema de
atendimento ao cliente (Helpdesk). Estes softwares, quando concluídos os testes em produção, serão  publicados como livres para a comunidade. Será o início de nossa contribuição para a comunidade livre.

SoftLivre.GOV.BR - Qual será o impacto da migração na receita do município?
Peter - Esse impacto é praticamente impossível de se precisar. Mas os benefícios serão inúmeros. Nosso ambiente de desenvolvimento atual exige que a estação de trabalho do usuário tenha Windows instalado. Com a migração isso não será mais necessário e estas estações poderão trabalhar utilizando Linux. Outra vantagem é a utilização do modelo Web, o único aplicativo obrigatório, além do sistema operacional será o browser. Isso traz economia em manutenção e suporte, aumentando a vida útil do equipamento.

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